quinta-feira, 8 de maio de 2014

NO HABLO CHINO!

O filme com o menor elenco que já vi, um total de 7 pessoas, das quais você "vê" a atuação de 5. Dra. Stone (Sandra Bullock), Kowalski (George Clooney), o indiano, Houston e o No hablo chino (Filho do Alfonso Curón).
No filme, você só ve o rosto da Dra. Stone e do Kowalski, apesar de o filme ser curto, ele tem o tempo certo, o timming certo, os clichês certos, a previsibilidade certa, em suma, apesar de bastante repetitivo, você não percebe isso, você acredita na situação.
Não irei fazer um resumo muito grande do filme, já que o considero uma experiência de vida, assim como "O Sexto Sentido".
Está na lista de filmes obrigatórios, dos quais ninguém deve te contar muita coisa, para que o plot e as filosofias e metáforas, não sejam arruinadas com Spoilers.
A história do filme é basicamente a seguinte:
Ryan Stone perdeu a filha num acidente envolvendo um balanço, um escorregador, algo do tipo não lembro exatamente o que, e meio que seguiu o conselho que as pessoas dão quando você tem uma grande perda na sua vida, você deve ocupar seu tempo com outras coisas como: hobbies, trabalho, estudos.
No caso dela, ela resolveu iniciar uma pesquisa para um novo dispositivo para o telescópio Hubble, a função específica dele não é dita no filme, não que eu me lembre pelo menos, mas não vem ao caso de qualquer forma.
Porque no processo de instalação do dispositivo, a Mother Russia resolve destruir um satélite espião, causando um efeito cascata em outros satélites, apesar de o espaço entre um satélite e outro ser de milhares e milhares de quilômetros, esse fenômeno é bastante provável que ocorra dentro de alguns anos, não lembro o nome do efeito, até porque não pesquisei muito a respeito, mas sei que há um artigo publicado em revistas renomadas sobre o assunto.
Até aí não houve spoilers grandes, pois isso tudo está no trailer principal do filme.

Agora sim terá spoilers...




Com a destruição do satélite Hubble, e da nave próxima usadas para fazer reparos e incrementos no satélite/telescópio a Dra. Stone se vê jogada no vazio do espaço, girando, com a câmera girando junto, numa cena de cerca de 15 à 20 minutos, na qual não me recordo de haver cortes, até o momento em que a câmera muda de posição para que o Kowalski entre em cena.
Chega de reumo do filme, irei somente citar algumas cenas durante minha análise da filosofia por trás de Gravidade.

Na minha opinião de merda, o filme fala sobre a vida, sobre o processo de nascer, crescer e morrer.
Durante a cena em que a Dra. Stone está perdida no espaço, se afastando das estações espaciais, ela começa a se perder, a se tornar parte do vazio, a ser solitária, esse momento para mim, foi como uma gestação, naquele momento, ela ainda era um feto, até que vem alguém e a tira de lá, trazendo-a para a realidade.
Daí em diante, ela é como um bebê, precisando ser carregada, tendo dificuldades para respirar, se agarrando em qualquer coisa que a dê uma sensação de segurança, e é nesse momento em que ela sofre sua "segunda" grande perda, quando o Kowalski se separa dela, deixando-a caminhar com as próprias pernas, tomar suas próprias decisões, como se o pai a deixasse, ou como se ela decidisse sair de casa.
É nesse momento em que ela perde o fôlego, e passa por um momento de desespero, até que ela acha um lugar seguro, e respira novamente, numa cena em que ela volta a ser uma criança indefesa, chegando até ficar em posição fetal, numa cena em que é jogado na sua cara, que ela havia renascido.

Daí pra frente, foi como se tudo desse errado, todos os planos falhavam, sempre havia algo mais que a impedia de seguir em frente, até o momento em que ela desiste, desliga o oxigênio e espera para morrer.
Para mim, essa é a cena mais forte do filme, foi quando eu tomei o maior tapa na cara que nunca imaginei que fosse levar...
O Kowalski volta a vida, e reaparece na shuttle em que está a Dra. Stone, e ali há um breve diálogo, em que ela diz que não aguenta mais, e quer simplesmente que tudo acabe.
E aí vem o que é na minha opinião, o segundo melhor discurso do cinema, com algo parecido com: "Ah você quer desistir? Pra você chega? Ok, você pode fazer isso, é uma escolha sua, você pode simplesmente desligar as luzes, se isolar, desligar o oxigênio, e esperar que o sono da morte a leve, esse é o jeito fácil de fazer as coisas, é o jeito dos fracos, aqui você se sente segura, aqui ninguém pode te machucar, aqui você é livre. Mas, e o resto? E as pessoas que dependem de você? Você perdeu sua filha, é algo triste? Sim, mas não é motivo pra desistir, é motivo pra você seguir em frente, nesse aspecto a vida é igual a um foguete, a força de decolagem é a mesma de pouso, e nesse caso, a mesma força que te colocou pra baixo, você vai usar pra se levantar."
E aí ela acorda, e vê que ele nunca havia retornado, que ela estava alucinando, que aquilo era a mente dela dizendo que não era hora de desistir.
Só de lembrar dessa cena me deu alguns calafrios enquanto estou escrevendo O.o'
Aí o filme muda seu tema de novo, agora ele é um filme de superação, é um filme sobre seguir em frente.
Quando ela chega na estação chinesa, e ve que estpa tudo em mandarim, é como se o universo desse um tapa na cara dela, e tivesse colocado ali outro obstáculo, mas é aí que a mensagem do "Kowalski" entra e rola um uni-duni-tê e com todas as dificuldades possíveis ela volta a terra, mas não só para o planeta, e sim para casa (não literalmente, mas como o Simba em Lion King, ela regressou ao lar).
Em outra cena em que ela renasce, mas dessa vez através da "fonte da vida", da água, e ela chega na praia, no momento de se levantar, ela cai, exausta, mas é aí que a força da Gravidade que a jogou no chão, ela usa para se erguer, e dessa vez como uma giante, com a câmera num ângulo de baixo pra cima, tudo ao redor dela parece minúsculo, tudo é insignificante, naquele momento, nada pode parar ela, ela foi vitoriosa.

Daí é teto preto né, acabou o filme T-T

 Nota: 10/10.

Fora alguns erros científicos, o filme é quase perfeito, nada que comprometa a experiência de viver o filme numa sala de cinema iMax 3D (vale os 50 reais do ingresso).